segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Resenha: As Virgens Suicidas

"A gente só quer viver. Se alguém deixar.”

As virgens suicidas conta a história de Cecilia (treze), Lux (catorze), Bonnie (quinze), Mary(dezesseis) e Therese (dezessete), cinco adolescentes, que não encontraram outra solução para seus problemas, além da morte.

O livro é bem intenso, e a maior parte dele, é contando pelos vizinhos dessas garotas, após alguns anos dos acontecimentos fatídicos, eles compartilham com o leitor a visão que tinham das meninas Lisbon, e é através da visão dessas pessoas que começamos a conhecer as irmãs, e juntamente com eles tentamos montar o quebra cabeça, para desvendar os motivos pelos quais, elas decidiram que essa era a única solução para acabar com seu sofrimento.




É também através do olhar desses adultos, que na época eram adolescentes, que conseguimos enxergar quão doentio era o relacionamento dessa garotas com os pais, a mãe as mantinham praticamente reclusas, com várias proibições, elas só tinham permissão de ir a escola praticamente, não podiam usar qualquer tipo de roupa, apenas a que passava pela aprovação da mãe, quase nenhuma maquiagem, e várias outras coisas que são comuns para um adolescente, e se você pensa que no pai elas encontrariam qualquer apoio, está muito enganado, ele não as proibia, mas não fazia qualquer esforço para ir contra a vontade da mãe das garotas.

E a situação só piora, depois que a primeira irmã tem êxito no seu objetivo, que é tirar a própria vida. Você poderia até pensar, que as coisas mudariam, porque afinal os pais acabaram de perder seu filho, e que assim como pensei, eles mudariam suas maneiras e atitudes, mas o que acontece é totalmente o reverso, as regras de tornam mais rígidas, as decisões da senhora Lisbon tomam uma proporção tão extrema que nem permissão para ir ao colégio as garotas tem mais.

“ Segurando o queixo da menina com delicadeza, o médico perguntou: ‘ O que você está fazendo aqui, meu bem? Você nem tem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim’
   E foi então que Cecilia forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio[...] ‘ É óbvio, doutor’, ela disse, ‘você nunca foi uma menina de treze anos’.”

Além de intenso e agoniante, agoniante porque o autor escreve de uma maneira ao qual você consegui enxergar todas as coisas que estão erradas, todas as atitudes que levaram ao desfecho, e você fica querendo ajudar essas garotas, que não tem o apoio dos pais, e de ninguém, e você  se torna assim como os vizinhos, um observar inútil, e junto com eles, você observa todo o mundo dessas garotas desmoronando e você vê o fim se aproximando e mesmo assim não pode fazer nada.

O livro aborda de maneira bem clara, vários estágios da depressão, e como isso é uma assunto sério, que precisa ser tratada de maneira correta, porque o que para algumas pessoas é chamando de “Frescura”, por desconhecer o assunto, para as pessoas que  passam ou já passaram por isso sabem o quão difícil é querer deixar esses sentimentos de lado e seguir em frente e não conseguir, o qual difícil é você se ver sem saída. O livro abordar esse assunto de uma maneira única, e que nós faz refletir. Esse é um daqueles livros que merecem ser lido, para que você entenda um pouco mais, para que você reconheça os sinais, e principalmente para que você não seja apenas um vizinho que observa sem fazer nada, e quando se dar conta já não pode fazer mais nada para ajudar. Não seja apenas os espectador, um observador inútil, tente ajudar.

Sobre o livro
Titulo original: The Virgin Suicides
Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Ano: 1994
Páginas: 216

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