sexta-feira, 1 de julho de 2016

Crítica: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício



Uma bomba de 100 minutos recheada de palavrões e piadas sem graça



Expectativa é sempre uma coisa muito difícil de se atender, o que dizer então da primeira experiência no cinema do canal mais popular do YouTube, com mais de 12 milhões de inscritos? Poderia dizer que foi um naufrágio de uma boa ideia.

A trama começa no Festival de Cannes acompanhando os personagens Rodrigo (Fábio Porchat) e Miguel (Gregório Duvivier) que durante uma bebedeira homérica acabam firmando um contrato vitalício obrigando o segundo a colocar o primeiro em  todos os seus filmes, sob pena de multa milionária. O que eles não contavam é que Miguel, depois de um incidente bizarro, fica desaparecido por dez anos e volta afirmando que foi sequestrado por alienígenas que vivem no centro da terra (???) e querendo transformar sua história em filme, escalando Rodrigo - que agora é um ator de sucesso em crise existencial - como protagonista do filme que tem grande potencial de afundar sua carreira.

À partir daí começa o desenvolvimento da história que poderia ser a estrada de tijolos amarelos do grupo no cinema, mas ela termina de cara em um muro de concreto. Piadas rasas, desenvolvimento precário dos personagens (os personagens não interagem entre si se o Fábio Porchat não estiver em cena), uso excessivo de estereótipos e o excesso de palavrões (que já é comum em produções do cinema nacional, mas que nessa pega pesado, incomodando até uma pessoa acostumada a falar palavrões com frequência) atrapalham o andamento do filme e o faz perder o fôlego em diversos momentos.



A produção usa da metalinguagem  para se desenvolver, porém esbarra feio em vários momentos. Mesmo lançando mão de usar os maiores trunfos do canal como os protagonistas (Duviviver e Porchat). O personagem de Gregório Duvivier é um desperdício do talento do ator, já que é bem cansativo (quase doloroso) vê-lo em cena. Porchat se sai melhor, mostrando algumas nuances de drama além da já característica comicidade.

Claro que é necessário reconhecer os bons momentos da película. Tathi Lopes está inspiradíssima no papel de uma blogueira/ vlogueira/ youtuber que funciona bem como uma crítica ao culto das celebridades da internet e a futilidade em torno desse mundo. Poderia ser mais explorada, mas acredito que não era a intenção dos roteiristas nesse momento. Júlia Rabello reprisa um de seus papeis mais famosos nas esquetes do grupo, a de uma preparadora de elenco que beira a psicopatia. Agora, o grande destaque fica para Antônio Tabet, que apesar de aparecer muito pouco, rouba a cena como um investigador que usa de métodos duvidosos em suas investigações.

Por mais que tente ser imparcial criticando um filme, como esse não é um site jornalístico não é necessário respeitar tanto essa amarra, e no caso dessa produção seria bem difícil deixar a opinião afetar o veredito final do filme. Se a pergunta for: vale a pena ver o filme no cinema?, a resposta inevitavelmente vai ser não.

A equipe é, sem dúvida alguma, talentosa e mesmo com esse filme que não vai agradar à todos, devemos esperar um sucesso comercial, porque se tem uma coisa que eles vão conseguir é arrastar as pessoas para as salas de  cinema. Uma pena que o gostinho final dessa experiência para o público deve ser bem amarga.

Ficha técnica

Título original: Porta dos Fundos: Contrato Vitalício
Diretor: Ian SBF
Data de lançamento: 30 de junho de 2016
Distribuidora: Paris Filmes
Elenco:  Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Antonio Tabet
Gênero: "Comédia"




Adendo da Mandy: Ver o filme foi extremamente doloroso, inclusive para mim. Sou fã de Fábio Porchat, amo de paixão, e nem ele conseguiu me animar no cinema. Adoro o Antonio Tabet e nem assim me fez gostar. A imagem abaixo define nossa cara no momento do filme.







Um comentário:

  1. Realmente, essa equipe merece muito respeito por conquistar através do Youtube uma legião de fãs, considerando que Porta dos fundos é uma produção independente, tipo de produção pouco incentivada (economicamente) no Brasil. Vejo o cinema brasileiro de hoje com olhos muito mais otimistas do que 10 anos atrás, mas lutar para que Nacional deixe de ser um gênero é mais que necessário e creio que a produção de filmes seria o meio mais fácil de mudar a mentalidade de nossa população. A comédia sempre foi o nosso forte, mas é incrível que muitas produções desse gênero estão afundando (Ex. Meu passado me condena: O filme), e de outros, estão ganhando muita qualidade (2 coelhos e Nina)

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